Retíficas de Motores como tornar ecológica

Ser ecologicamente eficiente é uma necessidade crescente para as Retíficas de Motores, Um importante conceito vem ganhando espaço em diversos mercados e se tornando um diferencial tanto para quem presta serviços como para quem os consome: a ecoeficiência. A preocupação com o uso sustentável de recursos naturais durante o planejamento, a produção ou a execução de qualquer trabalho também podem ser aplicadas, por exemplo, às retíficas de motores. Vale ressaltar que, além da preservação, também se torna uma boa forma de economia e marketing.
Pensando nessa demanda, o SEBRAE desenvolveu um material especificamente voltado para a retífica de motores. E o Brasil Mecânico, como faz mensalmente, faz questão de valorizar essa forma ecologicamente correta de se trabalhar e traz esse material para você.

A atividade empresarial relacionada à retífica ecológica é um negócio dedicado à recuperação de motores, utilizando métodos que possibilitam a realização desse tipo de serviço sem agressão aos princípios do desenvolvimento sustentável.
Nos anos 30, foi implantado no Brasil o conceito de oficina mecânica de emergência: quando o automóvel e as novas tecnologias apareciam para conserto, os mecânicos procuravam aprender como e o porquê do funcionamento do sistema. O diagnóstico correto dependia do ouvido do mecânico. No período da Segunda Guerra Mundial, a quantidade de veículos foi crescendo, apesar do racionamento do combustível e a dificuldade de importar petróleo, ocasionada pelo conflito entre as nações, foi utilizado o gasogênio, uma combustão incompleta de combustíveis sólidos entre os quais a madeira, o carvão, ou outros combustíveis geralmente ricos em carbono. Isso ocasionou uma série de problemas como redução da potência e danificação do motor, favorecendo o surgimento das retíficas de motores.

A durabilidade dos motores dos veículos atualmente situa-se em torno de 120 mil a 150 mil quilômetros, se o mesmo for utilizado sempre nos perímetros urbanos, com pouca quilometragem em cada trajeto, quando deverá sofrer a primeira retífica. Segundo José Arnaldo Laguna, presidente do Conselho Nacional de Retíficas de Motores – CONAREM “a vida útil máxima de um veículo só poderá ser atingida, e até mesmo ultrapassada, se as revisões periódicas forem realizadas, conforme constam no manual do veículo editado pelo fabricante”.
A retífica de motores de veículos visa restabelecer as condições de funcionamento e durabilidade, teoricamente semelhantes às de um motor novo.

A empresa de retificação de motores, hoje, é um ambiente organizado, muitas vezes tão limpo quanto uma sala de cirurgia, onde a preocupação com o meio ambiente e com a sustentabilidade faz parte da estrutura do negócio. O lixo é coletado de forma seletiva e reciclado, o esgoto é tratado, a água é reutilizada, as peças são lavadas de forma ecológica, usando produtos biodegradáveis, os mecânicos trabalham com uniforme limpo e em ordem, mãos limpas, além disso, fazem uso de equipamentos de segurança como óculos, luvas e cremes protetores para as mãos. Não há mais espaço para as oficinas sujas, poluídas e mal equipadas. Essa é uma atividade que vem se reinventando e evoluindo a passos largos.

Segundo o CONAREM – Conselho Nacional de Retíficas de Motores, esse negócio deve pautar-se pelos princípios a seguir:

– Atender garantindo a plena satisfação do cliente;
– Manter um responsável técnico pelo atendimento;
– Atender com presteza, mesmo não tendo prestado originariamente o serviço, agindo com habilidade junto ao cliente;
– Instruir devida e claramente quanto ao uso correto do motor;
– Aplicar peças de comprovada qualidade;
– Manter e zelar pelo alto padrão de qualidade dos serviços;
– Emitir parecer técnico e o devido orçamento para conserto;
– Executar as operações de acordo com a Norma ABNT 13032.

Responsabilidade social
O negócio de retífica ecológica, pelo potencial poluidor que uma retificadora possui, deve utilizar-se de sistema de gestão extremamente alinhado com os princípios do desenvolvimento sustentável, considerando o seu compromisso com a sustentabilidade econômica, social e ambiental, buscando o crescimento de forma integrada, preservando a qualidade de vida da comunidade onde está inserido e demonstrando em todas as ações empresariais a preocupação com o equilíbrio ambiental e o desenvolvimento econômico local.
De forma simplificada, podemos afirmar que: “O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades”. (COMISSÃO BRUNDTLAND, 1991, p. 46).
Por essa razão, o empresário do ramo de retífica ecológica deverá elaborar, além de um plano de negócio, um plano específico de gestão sustentável do empreendimento, dando atenção especial ao descarte de óleo, graxas, componentes eletroeletrônicos, peças de aço, cavacos de usinagem, plástico, cobre, alumínio, cortiça, borracha, ácidos, gases, estopas e outros materiais resultantes do processo de retífica de motores. Atenção especial deve ser dispensada, também, à destinação da água utilizada na limpeza de máquinas, peças e da própria oficina. Cada resíduo deverá ter tratamento específico e ambientalmente correto, evitando contaminações do solo, das águas e do ar. Um profissional da área ambiental deverá assessorar o novo empresário na elaboração do Plano. Sugere-se uma consulta à Prefeitura local para verificar a legislação ambiental e as exigências para a instalação de uma retificadora de motores. Assim, o empresário imbuído de responsabilidade social deve considerar os princípios de sustentabilidade em todas as suas ações, garantindo o equilíbrio sustentado do seu negócio, colaborando para uma sociedade mais justa e inclusiva e manter preservadas as funções e componentes do ecossistema onde está inserido.