Treinamento: CESVI confirma a importância da CAPACITAÇÃO

CESVI – Ferramental adequado, layout da empresa de acordo com as reais necessidades, estações de trabalho bem dimensionadas, produtos e insumos de primeira. Esse conjunto de bons predicados é essencial para um ótimo andamento dos trabalhos de uma oficina. Mas pouco adianta se não houver “material humano” capacitado para proporcionar trabalhos eficientes e produtividade em meio a esse cenário ideal.

O problema é que muitos donos de oficina duvidam das vantagens de se ter um profissional com capacitação na equipe. Alegam que o colaborador, quando bem treinado, vai buscar outras oportunidades no mercado. Isso até pode acontecer, se a oficina não oferece as condições que ele procura – e pode ser até o caso de a empresa repensar sua gestão de pessoal. O fundamental é que, sem mão de obra de qualidade, não há trabalho de qualidade. E não há muita perspectiva de futuro, portanto.

Justamente para que essa questão fique mais clara, o CESVI BRASIL desenvolveu um estudo sobre as diferenças entre os trabalhos de profissionais capacitados e não capacitados – no caso, em processos de repintura automotiva. (Para ser considerado “capacitado”, o profissional precisava ter passado por cursos de especialização nos últimos dois anos.)

O estudo verificou a qualidade final de uma preparação de superfície de chapa (para-lama), passando por todas as fases até a pintura da peça.

Para isso, foi desenvolvida uma metodologia de modo que os profissionais realizassem seus trabalhos em ambientes idênticos no que se refere à estrutura da oficina, a qualidade dos insumos utilizados e as características da peça trabalhada (dimensões, cor e dano existente). Assim, de variável no estudo, apenas a capacidade dos profissionais analisados – que tinham a liberdade de escolher os métodos que conheciam melhor.

Também no intuito de evitar distorções na atuação de cada participante, a opção foi não registrar o estudo com fotografias, pois a presença do fotógrafo tem influência no comportamento de alguns profissionais.

Vamos, então, ao estudo.

Peça escolhida  para dificultar

O para-lama selecionado tinha diversas curvaturas e vincos ao longo de sua extensão. A escolha da peça com essas características foi para reproduzir as dificuldades que o reparador pode encontrar no seu dia a dia. Especialmente as regiões com vincos exigem cuidados extras durante o lixamento e a preparação da superfície após a aplicação da massa e do primer.

A peça tinha cor prata: trata-se do “Prata Evolution Met”, com código universal A32-2005, da montadora Mitsubishi. A razão pela escolha da cor prata foi o grau de dificuldade no acerto de cor durante a aplicação – que leva em conta a regulagem da pistola, a distância e o ângulo de aplicação, e a homogeneização da base.

Além disso, o prata metálico revela mais imperfeições deixadas pelo profissional durante a preparação da superfície, como marcas de um lixamento inadequado, mapas, bolhas na massa e má aplicação do primer.

Tomada de dados e avaliação

Cada profissional recebeu uma peça numerada. Pesquisadores do CESVI registraram os tempos do processo, de ponta a ponta, e mediram a quantidade de massa usada por cada participante. E avaliaram os trabalhos realizados com base nos seguintes critérios:

> Pintura-base (cobertura da base, ausência de manchas, ausência de marcas de lixa, ausência de mapas).
> Verniz (cobertura do verniz, textura fina, ausência de escorrimento, ausência de sujeira).
> Tempo gasto.
> Consumo de materiais.

Base e verniz

Após análise dos trabalhos dos profissionais em relação à pintura-base e ao verniz, levando em consideração os critérios mencionados, foi criada uma tabela com as notas individuais de cada avaliador e uma média das classificações – que foram apresentadas em ordem decrescente conforme você vê nas tabelas 1 e 2.

É possível identificar que as notas mais altas foram obtidas, em sua maioria, pelos profissionais capacitados.

No que diz respeito à base, a variação de notas apresenta um grande diferencial, sendo a mais alta de 9,00 e a mais baixa de 5,58 – uma diferença de 44% de potencial de possibilidade de melhoria entre a pontuação do último colocado (não capacitado) para a nota mais alta (de um profissional que passou por treinamento).

Para o verniz, a variação de nota se estendeu entre 9,30 e 6,68 – um potencial de melhoria de 33,2%. E repare que as três melhores médias ficaram para os profissionais capacitados.

Tempos

Trabalho de qualidade significa também trabalho mais rápido, certo? Depende. É verdade que evita o retrabalho, mas os processos envolvidos podem levar a um tempo maior no fim das contas. Foi isso que o estudo concluiu.

Os profissionais capacitados investiram mais tempo que os não capacitados para fazer o mesmo trabalho. Segundo os avaliadores, esse resultado tem relação com as práticas corretas de aplicação do produto, a preparação de superfícies, o flash off entre camadas…

Ou seja, em alguns casos, a rapidez na realização do reparo pode ser prejudicial para a qualidade final da reparação.

Consumo de materiais

Os insumos utilizados pelos profissionais foram quantificados em gramas. Mas o CESVI aponta que essa variação está associada a particularidades nos processos e não espelha diretamente uma variação na qualidade – seja esse consumo maior ou menor.

Um exemplo: um consumo maior de desengraxante entre um profissional e outro pode ser benéfico e indicar que a quantidade utilizada impediu a presença de impurezas sobre a superfície pintada. Outro: uma quantidade maior de verniz aplicado sobre a peça também pode ser justificada para evitar pontos falhos na cobertura do verniz – e maior proteção para a base.

Tanto que, na maioria dos insumos pesquisados, os profissionais bem treinados apresentaram um consumo maior de produto (em seis dos oito analisados).

Ainda assim, vale a pena o registro, para ver como se comportam profissionais capacitados ou não em relação ao consumo de materiais.

Conclusão

As notas dos avaliadores quanto ao trabalho dos pesquisados com base e verniz comprovam: a capacitação é o diferencial que vai determinar se a reparação do dia a dia será feita com qualidade e produtividade. O estudo identificou que os profissionais capacitados tiveram menos falhas nos critérios relacionados à base e ao verniz – e por isso receberam as melhores notas. O que isso significa? Que realizaram um trabalho melhor (e, na prática, entregariam um carro em melhor estado para seu cliente).

O CESVI também identificou que profissional não capacitado acaba fazendo o trabalho mais rapidamente e usando menos materiais. Segundo os avaliadores, isso se dá porque o não capacitado acaba deixando de fora insumos que precisariam ser usados e optando por processos menos completos.

O estudo veio a confirmar uma impressão que o Centro de Experimentação e Segurança Viária já tinha: a oficina só tem a ganhar quando direciona, com regularidade, seus profissionais para treinamentos de especialização, para aperfeiçoamento em métodos e processos de reparação. É assim que a empresa evita retrabalho, clientes insatisfeitos e desentendimentos com as seguradoras. E pode se orgulhar de um serviço de qualidade, acima de qualquer suspeita.

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