Líder do mercado latino-americano de motopeças, brasileira Laquila vendeu mais de 5 milhões de peças e cresceu 60% na pandemia

A empresa, com sede no Estado do Paraná, driblou os impactos da crise e potencializou o volume de vendas apostando na expertise, valorização dos fornecedores e análise de mercado

Em escala global, a pandemia da Covid-19 representou a instabilidade e retração dos mais diversos segmentos da economia. Diferente de qualquer outro tipo de oscilação recente do mercado, uma crise sanitária sem precedentes, que afetou toda a dinâmica da sociedade em relação ao consumo, não trazia fórmulas ou protocolos de como ser enfrentada por empresas e indústrias. Sobreviver a este contexto exige um conhecimento excepcional da área de atuação, liderança estratégica e rápida tomada de decisão. Esse foi o mecanismo que levou a Laquila, empresa líder do mercado de motopeças na América Latina, a minimizar significativamente os efeitos da pandemia e alcançar a marca de 60% de crescimento no intervalo entre julho de 2020 e julho de 2021, totalizando o impressionante número de 5 milhões de peças de motos vendidas.

Com mais de 5 mil itens em catálogo, a Laquila tem em seu portfólio 25 marcas próprias, entre elas, KMP, TKX, WW3, Dyamond KMP, Daron, GP7 e Condor, oito representações e sete marcas internacionais. Além da excelência em motopeças, a empresa se destaca no mercado de acessórios e capacetes para motociclistas, com destaque para as marcas TEXX e Sky Motostyle. Alavancando os números durante a pandemia, a empresa contabilizou, entre julho de 2020 e julho de 2021, 35% de crescimento na venda de acessórios e 40% de aumento na venda de peças para motor. “Superamos a pandemia prevendo o comportamento do mercado. Começamos a sentir o impacto já em março de 2020 e nos antecipamos. Neste momento, paramos para analisar e rever todos os nossos processos internos. Então, traçamos um plano do que seria possível fazer naquelas condições já que não havia nenhuma perspectiva de fim para a pandemia. Por ser uma empresa familiar, mesmo com grande porte, nós temos uma dinâmica ágil na tomada de decisões, então rapidamente montamos um comitê de crise para avaliar qual seriam os nossos próximos passos”, afirma a gerente de suporte comercial da Laquila, Iael Trosman.

Com mais de 240 colaboradores, a empresa direcionou as atividades e investimentos baseadas nas informações levantadas pelo comitê de crise, o que resultou em uma aposta certeira: o crescimento do mercado de entregas via delivery, baseado quase integralmente em motoboys. “Nós não trabalhamos diretamente com o público final e sabíamos que os nossos clientes revendedores estavam de portas fechadas. Também sabíamos que o aumento na demanda por delivery era iminente. Analisando as previsões de aumento nas taxas de desemprego, concluímos que o número de pessoas que adotariam as entregas como uma forma de renda cresceria muito no país. Portanto, nossa primeira decisão foi seguir com as atividades freando a produção de acessórios e investindo em peças de reposição em um volume maior que o usual. Concluímos que a necessidade de revisão e troca de peças iria ser maior e, também, que com o crescimento da venda de motos novas provavelmente as montadoras não iriam conseguir suprir a demanda tão rapidamente”, explica Iael.

Em poucos meses a aposta da Laquila se concretizou. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), já em julho de 2020 as vendas de motocicletas cresceram 12,5% em comparação ao mesmo período em 2019. Entretanto, a interrupção das atividades e retraimento das linhas de produção devido aos protocolos de prevenção da Covid-19, além da escassez de peças, gerou atrasos nos prazos de entrega das montadoras, consolidando a demanda reprimida prevista pela Laquila. “Quem queria adquirir uma moto não conseguia comprar, e quem já tinha precisava realizar a manutenção para poder utilizá-la. Já em setembro de 2020, os lojistas que estavam desabastecidos, por terem passado os primeiros meses da pandemia com medo de comprar, passaram a nos procurar com grandes pedidos, 100% maiores do que os que normalmente faziam, e nós estávamos com o estoque preparado para atender a demanda. Acabamos por abastecer boa parte do mercado nacional. O preço já não era um diferencial, nós ganhamos espaço por termos tido a sensibilidade de analisar o setor e ter um poder de atuação imediato, diferente dos nossos concorrentes. Nós tínhamos as peças para fornecer”, conta Iael Trosman.

Relacionamento com a China

Além das decisões de não paralisar completamente as atividades, aumentar o volume de compra de peças e antecipar o acontecimento de uma demanda reprimida, o sucesso da gestão de crise e crescimento da Laquila durante a pandemia também se deve ao bom relacionamento da empresa com os fornecedores chineses. Epicentro da propagação do vírus, a China sofreu uma drástica queda na atividade econômica em 2020, registrando um tímido crescimento de apenas 2,3% no PIB, a taxa mais baixa dos últimos 44 anos. Entretanto, a perda de força não refletiu nos negócios da Laquila que há mais de 20 anos trabalha com importações oriundas do país asiático.

“Desde o início da história da Laquila, o objetivo era importar peças de motocicletas diretamente da China devido a qualidade, conhecimento técnico e preço competitivo identificados em fornecedores de lá. Há mais de duas décadas, todos os anos, nós vamos para a China, visitamos os fabricantes e linhas de produção para conhecer de perto os produtos e fazer contatos com os nossos parceiros. Dessa forma, o relacionamento foi se solidificando e fidelizando ao longo dos anos, nos permitindo uma melhor negociação quando a demanda estava maior e os preços aumentando. Assim conseguimos contornar a pressão da alta nos valores sem sofrer com a falta de peças, inclusive tendo o apoio de muitos fornecedores que nos enxergavam como prioridade no abastecimento”, esclarece Rosy Souza, diretora-executiva da Laquila. “Em momento nenhum a Laquila teve problemas com o recebimento de pedidos, foram poucos atrasos muito pontuais de itens específicos, o que não afetou mais do que 4% do nosso fluxo, e considerando a situação tão atípica e global, isso é completamente insignificante perto do que poderia ter acontecido e aconteceu com outros mercados. Portanto, podemos dizer que devido a nossa relação com os nossos fornecedores, a pandemia não afetou o nosso negócio”, acrescenta.

Futuro e Expansão

Para o final de 2021 e início de 2022, o foco da empresa está em consolidar a atuação no mercado brasileiro. “Temos um departamento responsável pelo desenvolvimento na parte de engenharias de peças, e sempre estamos em contato com nossos fornecedores para ficarmos a par de todas as inovações no segmento. Cuidamos bem do nosso mercado e sabemos que temos um potencial imenso de melhorar e aumentar ainda mais o nosso alcance em território nacional. Queremos fechar 2021 com um crescimento de 45% com relação ao ano passado. Esse é nosso principal objetivo a curto prazo”, projeta Iael Trosman.

Laquila

Além disso, a Laquila tem projetos ligados a expansão das suas linhas de acessórios, com destaque para as marcas TEXX, Sky Motorstyle e HJC Helmets. “Depois de um tempo com as produções desaceleradas no setor, decidimos, no segundo semestre desse ano, retomar os investimentos nas marcas de acessórios. Estamos trabalhando em modelos de capacetes e roupas com estilo casual que funcionem também para proteção, indispensável aos motociclistas. E para o futuro pretendemos estender essa produção também para o universo das bicicletas”, completa a gerente de suporte comercial da Laquila.

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